Escrito em 2003, este livro não publicado possui forte influência da poesia oriental, sobretudo persa ( Rumi, Omar Khayam...) num processo de sacralização do profano, através do seu erotismo implicito :
"meu amor
tua boca foi feita para beijar
e teu corpo
para ser adorado por outro corpo de homem como o meu
espelhos no deserto ecoando infinitamente iguais
refletindo este reflexos
excessos secos no final do inverno
tua cara de cabra jovem anunciou a primavera
abriu uma flor em meu peito e aceitou este corpo amanhecido
exausto de orgias
sujo de lama e de vinho
- a chama verde nunca diz 'não'-
deitados sobre o tapete de folhas
sob a expessa nuvem de maconha
arquétipos irmãos
quantos povos se reencontraram em nossos braços
se beijaram em nossas linguas
se reconciliaram em nosso sexo
por entre as árvores
em meditação?"
Contudo, pode-se notar características quase simbolistas em poemas como " O Lago Negro":
"a lua oculta seus desertos na noite fria
tudo é breu as margens do lago negro
de onde o vapor sobe e se dissipa
sem substância como os desejos
estrelas refletem a dança de todas as coisas
no dorso deste tapete líquido
fluindo silencioso e sereno
o ventre repleto de peixes e esquecimentos
espíritos de árvores me assistem chorar
sozinho vindo do nada para lugar nenhum
herdei de outras vidas o amor aos desertos
onde meu ser se basta distante de tudo
debruço-me sobre as águas escuras
mas não me vejo no lago:eu sou ele"
terça-feira, 3 de junho de 2008
domingo, 11 de maio de 2008
sábado, 10 de maio de 2008
Balada do Amor Necrófilo (para M.)
Beijar-te, amor, por entre cadáveres
Querer-te ainda mais em meio às carnes decompostas
Frias
Frágeis
Como as nossas
Expostas à degradação
Do tempo
Lento
A escorrer por entre dedos
Perecíveis, dançam cegos os queres tateantes
Transitórios, fortuitamente habitam os corpos dos amantes
Morte e desejo
Oh mórbida flor em que te beijo
Querer-te ainda mais em meio às carnes decompostas
Frias
Frágeis
Como as nossas
Expostas à degradação
Do tempo
Lento
A escorrer por entre dedos
Perecíveis, dançam cegos os queres tateantes
Transitórios, fortuitamente habitam os corpos dos amantes
Morte e desejo
Oh mórbida flor em que te beijo
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